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Licença de fonte para site: o que a empresa assume


Por:
Henrique Sabino
A licença de fonte para site é da empresa dona do site, não de quem desenhou a página. Fonte instalada no computador não vale para a web: o uso em site exige licença de webfont. O mesmo vale para as imagens, com uma camada a mais, a pessoa retratada.
Quem recebe a cobrança é a empresa que aparece no rodapé. Uma publicação brasileira de design contou, em texto de 16 de julho de 2026, que foi cobrada em 138 euros por uma fonte colocada no rodapé de um projeto por um desenvolvedor terceirizado. A empresa que rastreou o uso pediu o licenciamento retroativo de dois pesos da família.
Na Wama, o projeto é transferido para a conta do cliente e a assinatura do Framer fica no cartão dele, então é a conta da empresa que passa a guardar os arquivos de fonte enviados. Vale conferir isso na entrega, não três anos depois.
Quem responde pela licença da fonte e das imagens do seu site?
Responde a empresa que publica o site. Fonte e imagem entram na página como ativos de terceiros, licenciados para um uso específico, e a licença segue quem explora o conteúdo comercialmente. O fornecedor que escolheu a tipografia pode ter errado, mas quem responde pela página é a empresa cujo nome está nela.
Isso é diferente de propriedade do que foi criado para você. Em quem fica com o código quando o software é sob medida, a discussão é de titularidade. Aqui ninguém criou a fonte nem a foto: você compra o direito de usar, por um tempo, num meio e num volume definidos.
Segundo a Monotype, uma das maiores distribuidoras de tipografia do mundo, cada arquivo de fonte é software protegido por propriedade intelectual, e em escala de empresa é fácil perder o controle de qual fonte está onde conforme parceiros de agência entram e saem. A pergunta cabe junto com as outras perguntas que você leva para a reunião.
Licença de webfont e licença de desktop: a diferença que cobra depois
A licença de desktop cobre instalar a fonte no computador e usar em peças: apresentação, documento, arte impressa. Ela não cobre enviar o arquivo para um servidor web, que é exatamente o que um site faz. Para a web existe licença própria, a de webfont, quase sempre vendida à parte e dimensionada por visitas ou por domínio.

A ajuda oficial do Framer sobre licença de fonte, atualizada em 7 de agosto de 2026, é direta: para site, escolha licença de webfont, nunca de desktop, e suba os arquivos em WOFF ou WOFF2. A mesma página recomenda evitar OTF e TTF na web porque eles podem gerar conflito de licenciamento e perda de desempenho.
O formato importa duas vezes. O WOFF2 é o mais leve e carrega mais rápido, o que entra em o peso que arquivos mal escolhidos jogam na página. E o formato entregue costuma denunciar a licença: quem manda um TTF de desktop para colocar no site provavelmente não comprou licença de web.
O Google Fonts é livre para uso comercial?
Na prática, sim, para a maior parte do catálogo. As fontes do Google Fonts são distribuídas sob licenças abertas, e a mais comum é a SIL Open Font License. Pela própria SIL, na versão 1.1 da licença, publicada em 26 de fevereiro de 2007, você pode usar as fontes em livros, cartazes, logos e sites, sem precisar dar crédito.
A OFL também permite modificar e redistribuir, com uma ressalva: nomes reservados podem obrigar a fonte modificada a mudar de nome. Para quem contrata um site, a leitura é simples. Fonte de catálogo aberto é o caminho sem risco, e por isso ela é o padrão de quase todo projeto que não tem tipografia própria de marca.
A plataforma já traz o Google Fonts e o Fontshare embutidos, segundo a página do Framer sobre fontes personalizadas, atualizada na mesma data. Usar o que já vem instalado resolve o problema antes de ele existir, e não custa nada além do plano.
A fonte da marca: o que pedir antes de subir no site
Quando a marca tem tipografia própria, alguém precisa comprar a licença de webfont, e o nome no pedido deveria ser o da empresa, não o do fornecedor. Licença comprada em nome da agência acompanha a agência: se a parceria acaba, o direito de uso pode ir junto, e o site fica servindo um arquivo que ninguém está autorizado a distribuir.
Peça três coisas antes da publicação: o arquivo em WOFF ou WOFF2, o comprovante da licença de webfont em nome da empresa, e o limite contratado, que costuma ser por volume de visitas mensais. Esse material cabe no mesmo lugar em que você descreve a marca, na hora de registrar a fonte no briefing do projeto.
Nos projetos da Wama, o plano contratado no Framer é quase sempre o Pro, e os arquivos de fonte ficam no workspace desse plano. Como a conta é do cliente, a fonte continua com ele mesmo se o fornecedor mudar. Confira o plano em que a fonte fica hospedada antes de assinar.
Imagem de banco pode ser usada no site de uma empresa?
Pode, dentro do que a licença do banco permite, e com um cuidado que a licença não resolve sozinha: o direito da pessoa retratada. A licença comprada cobre o direito autoral de quem fotografou. Ela não autoriza, por si, o uso da imagem de alguém identificável para vender um produto ou um serviço.
No Brasil a régua é dura. A Súmula 403 do Superior Tribunal de Justiça, aprovada pela Segunda Seção em 28 de outubro de 2009, diz que independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. Não é preciso demonstrar dano: o uso comercial sem autorização já basta.
O Guia de Direitos Autorais do Senado reforça que imagem publicada em site precisa de autorização do autor e da pessoa retratada, e que contrato de licenciamento amplo não retira a responsabilidade sobre o contexto de uso. Some a isso que os termos dos bancos mudam com data, como os termos de junho de 2026 de um dos maiores do mercado.
Por que o problema aparece anos depois da entrega?
Porque ninguém audita a própria página no dia seguinte. O uso irregular costuma ser descoberto quando a marca cresce, o site ganha tráfego e um rastreador de licenças identifica a fonte servida. Nesse momento a cobrança não é o preço da licença que você deixou de comprar: é o licenciamento retroativo, com poder de negociação zero.
Dois momentos concentram o risco. O primeiro é a importação de design: segundo a mesma página de ajuda do Framer, arquivos vindos do Figma perdem a tipografia original quando ela não existe na plataforma, e alguém sobe um arquivo qualquer para resolver. O segundo é a migração, em que o conteúdo que vem junto na mudança de plataforma carrega fontes e imagens de origem esquecida.
A passagem de bastão também pesa. Depois da entrega, a Wama não mantém contrato mensal: o cliente assume só o plano da plataforma, com treinamento do time para usar o CMS e um período de garantia com correções sem custo. O inventário de licenças é o tipo de documento que precisa sobreviver a essa passagem.
O que escrever na proposta e conferir na entrega
Licença é item de escopo, e escopo é o que a proposta escreve. Na Wama, o que não estiver na proposta vira custo extra depois, e a régua vale igual para texto, imagem e tipografia: quem escreve os textos, por exemplo, depende da faixa contratada. Tratar licença como detalhe é só adiar a conta.
Três linhas resolvem quase tudo: quem compra a licença de webfont e em nome de quem ela fica; de onde vêm as imagens e qual licença cobre o uso comercial; e o que acontece com esses arquivos se a parceria terminar. Junte a isso o que já está dentro do orçamento do projeto e a conversa fica honesta.
Na entrega, peça o inventário: lista das fontes servidas, formato de cada arquivo, origem de cada imagem e comprovante das licenças. Depois disso, quem edita o site passa a trocar imagem sozinho, então vale combinar quem aprova o que entra. É a mesma régua de quem da empresa pode mexer no site depois de publicado.
Perguntas frequentes sobre licença de fonte para site
Preciso comprar licença para usar uma fonte do Google Fonts no site?
Não. As fontes do Google Fonts são distribuídas sob licenças abertas, quase sempre a SIL Open Font License, que permite uso em sites sem pagamento e sem exigência de crédito. Confira mesmo assim a licença declarada na página da fonte, porque o catálogo reúne famílias com termos diferentes entre si.
A fonte instalada no meu computador pode ir para o site?
Não necessariamente. Estar instalada no sistema operacional não dá direito de uso na web. O site envia o arquivo da fonte para um servidor, e esse uso costuma exigir licença de webfont, vendida à parte. Fontes que vêm junto com pacotes de escritório já geraram cobrança retroativa exatamente por isso.
Quem paga se a agência usar uma fonte sem licença no meu site?
A cobrança chega para quem publica o site, porque é a empresa que explora a página comercialmente. Você discute a responsabilidade com o fornecedor pelo contrato, mas isso não evita a notificação nem o prazo para responder. Por isso a licença precisa nascer em nome da empresa, desde o primeiro arquivo.
Posso usar foto de banco de imagens com pessoas na página da empresa?
Depende da autorização da pessoa retratada, não apenas da licença do banco. A Súmula 403 do STJ dispensa prova de prejuízo na indenização por uso comercial não autorizado de imagem. Bancos sérios informam quando existe autorização de modelo. Na dúvida, prefira imagem em que ninguém apareça identificável.
Como conferir as fontes que o meu site serve hoje?
Abra o site, use o inspetor do navegador e olhe os arquivos de fonte carregados na aba de rede. O nome da família e o formato aparecem ali. Com essa lista em mãos, compare com os comprovantes de licença guardados e veja o que ficou sem origem conhecida.
Se você está fechando um projeto de site e quer licença de fonte e de imagem escrita na proposta, fale com a Wama e peça o escopo detalhado.



