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UI UX para fintech: o que o Pix já exige da tela

14 MINUTOS DE LEITURA

UI UX para fintech: o que o Pix já exige da tela

Colagem vintage: mão carimbando comprovante e mão com lupa sobre rolo de papel, o que a norma decide em UI UX para fintech
Logo do Visor, app de finanças com IA e Open Finance

Por:

Henrique Sabino

UI UX para fintech é o design da interface e da experiência de produtos financeiros, como app de pagamento, conta digital e carteira. No Brasil, parte dessa tela já chega decidida: o Banco Central publica requisitos mínimos de experiência do usuário para o Pix, com nomes obrigatórios, mensagens com conteúdo mínimo e regras para o comprovante.

Os guias de UX de fintech que li em setembro de 2026 são estrangeiros e nenhum menciona que aqui a interface de quem participa do Pix segue um documento do regulador, que acaba de ganhar a versão 7.4, válida a partir de 1º de março de 2027.

Na Wama, o assunto é de projeto entregue: em 2025 o estúdio projetou e desenvolveu o aplicativo da Cappta, instituição de pagamento com captura de pagamento e conta digital em white label, com as interfaces desenhadas no Figma. Este texto é o recorte de design dentro do guia sobre o que a norma pede do site de uma fintech.

O que muda em UI UX para fintech?

Muda o custo do erro e muda quem define parte da tela. Num produto financeiro, um botão ambíguo pode mandar dinheiro para a pessoa errada, então confiança, clareza de valor e confirmação antes de pagar pesam mais que em qualquer outro produto digital.

Fluxo curto, hierarquia clara e os momentos que definem a experiência de um SaaS valem também para uma conta digital. A diferença é o perímetro: além das regras de loja e de segurança, que são o que o Banco Central exige de quem constrói o app, existe uma camada de interface escrita pelo próprio regulador.

A Stric, que permite a empresas operarem como bancos digitais em white label, recebeu da Wama em 2026 branding, design da plataforma SaaS e site, e os clientes dela precisam saber quais telas são livres e quais seguem norma.

Que parte da tela o Banco Central já decidiu?

Toda a experiência do Pix em aplicativo para pessoa natural tem um piso definido pelo Banco Central. O documento Requisitos Mínimos para a Experiência do Usuário, versão 7.3 de dezembro de 2025, declara ser parte integrante do regulamento do Pix, e as obrigações valem para os participantes do arranjo.

Carimbo antigo de madeira sobre círculo verde-lima, a parte da tela que a norma define em UI UX para fintech

Alguns itens obrigatórios da versão em vigor:

  • O ambiente Pix fica acessível no aplicativo principal, na tela de login ou logo depois dela, com destaque não menor que o de outras formas de pagamento.

  • Os nomes são fixos: "Pix", "Chave Pix", "Minhas chaves", "Pix Copia e Cola", "Meus Limites", "Pix Agendado" e "Pix Automático", entre outros.

  • As mensagens de sucesso, erro e orientação têm conteúdo mínimo, que a marca pode reescrever na própria voz sem remover.

  • As validações de segurança do Pix não podem pedir ao usuário mais ações do que as outras formas de pagamento da instituição pedem.

  • A tela inicial do ambiente Pix tem atalho direto para o canal de reclamação, com aviso de que o usuário pode registrar reclamação no site do Banco Central.

  • O campo Descrição, de até 140 caracteres, aparece literalmente: o app não renderiza link nem conteúdo dinâmico ali.

O último item é design a serviço da segurança: link clicável numa mensagem de transferência é porta aberta para golpe. Quem desenha sem conhecer o manual descobre essas regras depois da tela aprovada, quando refazer custa mais caro.

O que a versão 7.4 do manual do Pix muda até março de 2027?

A versão 7.4 dos requisitos de experiência do Pix, datada de setembro de 2026 e com vigência a partir de 1º de março de 2027, aperta três frentes: comprovante, fraude e memória de contatos. Quem refaz um app agora deveria desenhar pela versão nova e deixar isso escrito, como parte de o que o contrato com quem desenvolve precisa dizer.

Comprovante de papel antigo com clipe sobre círculo verde-lima, o comprovante Pix sem propaganda da versão 7.4

Mudança na 7.4

O que acontece na tela

Efeito para quem usa

Comprovante com finalidade exclusiva

Fica vedado incluir propaganda, publicidade, oferta comercial ou hiperlink

O comprovante só prova a transação

Nome Fantasia do recebedor

Exibido no comprovante quando o recebedor é pessoa jurídica e tem Nome Fantasia

O pagador reconhece a empresa

Contatos favoritos

O app guarda a chave Pix usada e alerta o pagador se a identificação do recebedor mudar

Contato salvo deixa de ser atalho cego

Suspeita de fraude transacional

Mensagem obrigatória quando o Pix não pode ser feito por marcação de suspeita de fraude

A recusa vem com motivo

Extrato padronizado

Sinais de mais e de menos e os termos Pagamento e Recebimento

Entrada e saída sem ambiguidade

Pix Automático

Campo Objeto do pagamento apresentado de forma clara e destacada

O usuário sabe o que autorizou cobrar

Autoatendimento do MED

Jornada de contestação reformulada, com triagem do que é elegível

Menos contestação aberta pelo caminho errado

A direção se repete: a 7.1, de fevereiro de 2025, criou o autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), e a 7.2, de outubro de 2025, passou a exigir mensagem de erro para chave de conta com restrição por fraude.

Confiança, erro e fricção: onde o design ainda decide

A norma define o piso, e a confiança continua sendo trabalho de design. Os guias de agências de UX publicados em 2026 convergem em três ideias: confiança se decide pela precisão visual, legibilidade vale mais que simplificação agressiva, e fricção bem colocada protege.

O manual do Pix confirma a terceira ideia. Quando a instituição precisa de tempo extra para analisar uma transação suspeita, a mensagem obrigatória avisa o tempo adicional e oferece cancelar, e os exemplos do documento falam em 30 e 60 minutos. O design decide se essa espera parece falha ou proteção.

Ampulheta antiga sobre semicírculo verde-lima, o tempo de análise antifraude no design de app financeiro

Nos projetos da Wama, essa decisão pesa nas telas de acompanhamento. Na Milhas Pix, marketplace de milhas com pagamento via Pix, o estúdio desenhou em 2025 da página de aquisição até as telas de gestão de ofertas e acompanhamento de transações, onde o usuário decide se confia no produto.

Três práticas valem para qualquer produto financeiro:

  1. Mensagem de erro com motivo e próximo passo. Sem motivo, o erro vira chamado no suporte.

  2. Estados de espera desenhados. Pendente, em análise, recusado e devolvido merecem tela própria, não um ícone de carregamento.

  3. Acessibilidade desde o primeiro rascunho. O manual recomenda áreas de toque maiores, descrição ativa para leitor de tela e vídeos em Libras.

O primeiro contato segue a lógica de como desenhar o primeiro uso de um produto, com um detalhe: no primeiro acesso, o manual obriga o app a apresentar o Pix (velocidade, disponibilidade, custo e formas de pagar), e isso precisa caber no fluxo sem virar tela de termos.

E o Open Finance?

O Open Finance também avalia experiência. No piloto de jornada otimizada, regulado pela Instrução Normativa BCB nº 740, de 29 de maio de 2026, a validação de UX das marcas participantes usa um questionário que, segundo as diretrizes gerais do piloto, é integralmente baseado na versão mais recente do Guia de Experiência do Usuário do ecossistema.

Para quem desenha, é mais um documento de interface na mesa: fintech que vai iniciar pagamentos ou compartilhar dados por esse caminho confere as jornadas contra esse guia, além do manual do Pix.

Como contratar o design de um produto financeiro

Peça no escopo, por escrito, o que a norma exige antes de discutir estética. Um projeto de UI UX para fintech bem contratado entrega o mapa do que é regulado e a prova de que cada tela segue a versão certa do manual.

  1. Inventário das telas reguladas: ambiente Pix, comprovante, extrato, limites, contestação e favoritos.

  2. Mensagens de erro e de espera como entregável, com o conteúdo mínimo do manual e a voz da marca.

  3. Protótipo do comprovante e do extrato já pela versão 7.4.

  4. Revisão contra o manual vigente e o futuro, com a data de corte no cronograma.

  5. Arquivos de design e acessos no nome da fintech, porque vale saber o que muda quando o produto precisa de código próprio.

Na Wama, uma pessoa só conduz o projeto do briefing ao deploy, sem camada de atendimento entre quem decide e quem desenha. As revisões são ilimitadas dentro do escopo, então ajustar uma mensagem de erro até ela ficar clara não consome rodada.

A IA entra no fluxo do estúdio em código e automação, com leitura humana de todo resultado. Ela acelera a construção, não a decisão: saber qual tela o regulador já decidiu continua sendo trabalho de gente.

Erros comuns em UI UX para fintech

  1. Desenhar pela versão do manual que vai expirar. Um app redesenhado agora pela 7.3 terá de mudar comprovante, favoritos e extrato até março de 2027.

  2. Usar o comprovante como vitrine. Banner de crédito ou oferta no comprovante fica vedado pela 7.4.

  3. Tratar erro como exceção. Em produto financeiro, recusa, análise e devolução são fluxos principais e merecem o mesmo cuidado da tela de sucesso.

Perguntas frequentes

O manual de UX do Pix vale para qualquer fintech?

As obrigações valem para os participantes do Pix, em aplicativos para pessoas naturais. Uma fintech em white label, sobre a licença de uma parceira, costuma desenhar a própria tela, e na leitura da Wama a parceira tende a cobrar que ela siga o manual, porque a obrigação é dela.

Quando a versão 7.4 passa a valer?

A partir de 1º de março de 2027, segundo o Banco Central, que publicou o documento em setembro de 2026 entre as versões futuras do regulamento do Pix. Até lá vale a 7.3, de dezembro de 2025, e um app que atravessa a data precisa atender às duas.

O comprovante do Pix pode ter oferta de produto?

Pela versão 7.4, não. O comprovante passa a ter a finalidade exclusiva de registrar e demonstrar a transação, e fica vedada a inclusão de propaganda, publicidade, ofertas comerciais, hiperlinks ou conteúdo alheio à operação. A oferta pode ficar em outra tela, nunca no documento que prova o pagamento.

UI UX para fintech é diferente de UI UX para SaaS?

O ofício é o mesmo: pesquisa, fluxo, hierarquia e teste. Em fintech, porém, o erro custa dinheiro do usuário, a análise antifraude faz parte do fluxo e o regulador fixa nomes, mensagens e comprovantes que um SaaS comum escolhe livremente.

Quanto custa um projeto de produto digital para fintech?

Depende do número de fluxos e de quanto do produto é regulado. Como referência, a faixa geral da Wama para SaaS e sistema vai de R$ 20 mil a R$ 100 mil, podendo chegar a R$ 200 mil conforme a complexidade. O que move esse número está em quanto custa a primeira versão de um produto.

Se a sua fintech vai desenhar ou refazer o app antes de março de 2027, comece pelo inventário das telas reguladas. Converse com a Wama e leve o fluxo atual para a primeira reunião.

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